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segunda-feira, março 14

HIPERACTIVIDADE





Dizemos das crianças que não param quietas que têm bichinho carpinteiro. E podemos dizê-lo com toda a propriedade das crianças hiperactivas. Porque elas não param, não conseguem concentrar-se, trocam uma brincadeira por outra num ápice, nada parece motivá-las. Pelos outros são olhadas de lado, rotuladas de agressivas. Um rótulo injusto: o que elas precisam é de uma estratégia concentrada para conquistarem estabilidade. Os médicos ajudam, mas o contributo de pais e professores é precioso.
A ajuda dos professores

A escola é, com a casa, um eixo fundamental no tratamento das crianças hiperactivas, cujos resultados escolares são, regra geral, pouco famosos. Aos professores compete captá-las para a aprendizagem. São crianças que requerem uma atenção especial. Assim:
  • A criança hiperactiva deve sentar-se na primeira fila;
  • O professor deve verificar-se se o aluno compreendeu bem as tarefas que lhe foram destinadas;
  • A criança deve ser autorizada a levantar-se de vez em quando;
  • As tarefas devem ser divididas para que a criança faça uma parte primeiro e possa terminá-las mais tarde;
  • O professor deve estabelecer um equilíbrio entre as recompensas e as penalizações.

Hiperactividade não é violência


Muitas vezes as crianças hiperactivas são confundidas com crianças violentas. Mas este paralelismo não é verdadeiro e muito menos justo. É certo que não param quietas, mas não manifestam comportamentos agressivos face às demais. É certo que as suas atitudes podem ser irritantes, mas isso não é deliberado.
As crianças hiperactivas são as primeiras a sofrer com os seus próprios comportamentos: elas sentem a rejeição dos seus pares e que os adultos as olham de lado, pelo que bem gostariam de se controlar, mas os impulsos são mais fortes e não conseguem. Os comportamentos hiperactivos não têm semelhanças com as atitudes de oposição e provocação. Estas, sim, são agressivas e hostis e desafiadoras da autoridade dos adultos. As crianças hiperactivas não agem por confronto, apenas não controlam os impulsos.



A ajuda dos pais


A hiperactividade afecta tanto as crianças como os pais, que se esgotam em múltiplas tentativas para lidar com esta situação difícil. De tudo experimentam e muitas vezes sentem faltar-lhes a coragem. Mas pode, de facto, ajudar os filhos a concentrar-se e a protagonizar comportamentos mais tranquilos e estáveis. Aqui ficam algumas sugestões:

  • Criar regras simples e explicar à criança o que pode acontecer se transgredir, sendo que os castigos devem ser rápidos e consistentes, além de justos naturalmente;
  • Estabelecer horários e prazos, uma forma de ajudar estas crianças que estão em constante actividade, se distraem e esquecem facilmente das suas tarefas;
  • Acompanhar a criança no desempenho das suas tarefas, de modo a combater as dificuldades de concentração;
  • Recompensar os esforços, não apenas os bons resultados.

In: Farmácia Saúde, Nº 100, Janeiro de 2005