Promover a Saúde Pública

sábado, abril 9

CRIANÇAS E AUTOMÓVEIS BEM SENTADAS PARA VIVER



É já ali, não vale a pena... Eu tenho cuidado, guio devagar... Eles não gostam de usar cinto... Todas as desculpas servem para transportar os nossos filhos na maior das inseguranças. Bem intencionados, os pais descuidam-se, na ilusão de que os acidentes só acontecem aos outros. Ou a altas velocidades. Mas não, a morte pode estar ao virar da esquina. Por isso, sente bem as suas crianças. Não há idade para viajar em segurança!
Está nas nossas mãos - dos pais que ao mesmo tempo são condutores - proporcionar às crianças a segurança que elas merecem. Não há desculpas: nem a curta distância, nem a falta de tempo, nem a reduzida velocidade, nem a resistência que muitas vezes os miúdos oferecem ao uso dos sistemas de retenção. Seja qual for a velocidade e a distância a percorrer, há que utilizar sempre um sistema de retenção - cadeirinha, banco ou cinto. E há os adequados a todas as idades. Além do mais, saiba que se for apanhado pela Brigada de Trânsito em situação irregular pode ser multado em 120 euros por cada passageiro desprotegido (adultos incluídos). Segurança para todas as idades Quando adequados ao tamanho e peso da criança, e bem instalados, os sistemas de retenção garantem uma protecção na ordem dos 90%. Isto significa que a probabilidade de sobrevivência poderá ser dez vezes superior à de uma criança que viaje solta ou ao colo.

Quanto ao cinto de segurança - coloca-se às crianças com mais de oito anos - se utilizado correctamente tem uma eficácia próxima dos 50% - o que isto quer dizer é que num acidente grave a hipótese de sobrevivência é duas vezes superior a quem viaja sem cinto. O cinto de segurança é o sistema de retenção mais conhecido - deve ser usado por adultos e para crianças acima dos oito anos, antes disso não é eficiente. Abaixo desta idade, existe um outro conjunto de sistemas de retenção, a usar desde o nascimento. São acessórios, as chamadas cadeirinhas, que permitem o transporte correcto e seguro de crianças cujo tamanho impede o uso adequado do cinto de segurança.

Até aos 18 meses, a criança deve viajar sempre voltada para trás, numa cadeirinha própria com um cinto de três pontos (aqueles que têm uma faixa horizontal, que atravessa a zona abdominal, e outra diagonal, que passa pelo ombro) e num lugar sem airbag. Convém explicar por que devem as crianças nestas idades viajar sentadas no sentido inverso ao da marcha do veículo: é que as cadeiras assim colocadas funcionam como uma carapaça que as envolve, apoiando-lhe as costas, o pescoço e a cabeça de uma maneira uniforme. Convém não esquecer que esta é uma fase de crescimento, de ossos pouco firmes e em que o pescoço é muito frágil, além de que, à nascença, o peso da cabeça é desproporcional ao do corpo. Por estas razões, são muito vulneráveis e facilmente sofrem lesões ou traumatismos sérios. Lembre-se que uma cadeira voltada para trás pode salvar a vida de nove em cada dez crianças! Nos primeiros tempos o mais adequado é uma cadeira aprovada para crianças que pesem até 13 quilos, podendo depois, passar para uma própria para utilização até aos 18 quilos, mas sempre uma que possa ser instalada da mesma maneira. A partir dos 18 meses e até a criança ter cerca de metro e meio (o que acontece entre os oito e os doze anos) o uso de um sistema de retenção continua a ser indispensável. Naturalmente com características adequadas à estatura e ao peso. Há cadeiras de apoio que elevam a criança, permitindo que o cinto de segurança lhe assente confortavelmente sobre o ombro e a bacia. Ao mesmo tempo, as costas permanecem numa posição correcta e a existência de apoios laterais garante segurança mesmo que a criança adormece, o que, todos sabemos, é muito frequente durante uma viagem. Pelos seis anos, as crianças já podem ser sentadas num banco elevatório, desde que o cinto seja colocado correctamente na bacia e não sobre a barriga. Quando atingem o metro e meio, então o cinto de segurança do automóvel pode bastar para que a criança viaje segura e confortável.
Provavelmente terá então 12 anos e já poderá sentar-se no banco da frente. E aí, se olhar para o lado, deverá ver um bom exemplo: o pai ou a mãe de cinto bem colocado, mesmo que sejam apenas cinco minutos entre a casa e a escola. Há idades em que eles resistem quanto podem ao uso do cinto de segurança. Desafiam os pais já em pleno andamento, espraiando-se pelo banco traseiro. Se assim for, logo que possível pare o carro, e insista para que o cinto seja reposto. Em matéria de segurança não se pode transigir. Mais vale uma birra dos filhos do que as lágrimas dos pais após um acidente de viação.

In: www.anf.pt, 9 de Fevereiro 2005, 19h:59m