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sábado, abril 9

INCONTINÊNCIA URINÁRIA - UMA GOTA CONTRA O PUDOR


A incontinência é a incapacidade de reter a urina. Não é uma doença, mas pode ser sintoma de uma enfermidade que deve ser identificada e tratada. Não deixe que o pudor o impeça de procurar ajuda.


Existem duas espécies de incontinência: a aguda e a crónica. São duas formas do mesmo problema, que têm que ser identificadas e tratadas para evitar os incómodos dela decorrentes. A incontinência aguda, transitória, pode ser secundária a uma doença (especialmente se a doença se faz acompanhar de confusão mental, como no caso da febre alta), ser devida ao facto da pessoa estar acamada (e, consequentemente, não poder ir à casa de banho urinar com a frequência habitual) ou resultar de uma infecção urinária. Este tipo de incontinência desaparece, quando a causa subjacente é tratada.A incontinência crónica, contudo, que é normalmente mais persistente, pode assumir quatro formas diferentes:
  • incontinência de esforço: consiste na perda de pequenas quantidades de urina com a tosse, o riso, o espirro ou durante o exercício. É mais frequente nas mulheres e deve-se à pressão exercida sobre a bexiga;
  • incontinência urgência: consiste na perda de grandes quantidades de urina e resulta da incapacidade de evitar a contracção da bexiga;
  • incontinência por excesso: resulta da pressão exercida sobre uma bexiga demasiado cheia (pode ser devida à existência de uma próstata aumentada);
  • incontinência funcional: resulta de um atraso na chegada a tempo à casa de banho, devido a problemas de mobilidade, inconveniente localização ou má adequação das instalações sanitárias.
Uma em cada dez pessoas idosas, especialmente as mulheres que tiveram muitos filhos, pode ter dificuldade em reter a urina. Embora na velhice a bexiga se torne mais pequena e os músculos mais fracos, a incontinência não é necessariamente provocada pela velhice propriamente dita, mas sim por uma doença subjacente, ou por um medicamento que esteja a ser tomado. O que acontece geralmente é que, na maior parte dos casos, esses problemas ocorrem com mais frequência à medida que a idade avança.
Como tratar

O tratamento da incontinência persistente está dependente da situação que a provocou e pode consistir em medicação (como é o caso dos anticolergénicos, que actuam especificamente na redução da hiperactividade da bexiga), exercícios para fortalecimento de certos músculos, utilização de sondas que recolhem urina para um saco colector ou intervenção cirúrgica.As modernas técnicas de diagnóstico permitem, hoje, uma caracterização da incontinência, fundamental para uma decisão terapêutica correcta. Em relação à terapêutica da incontinência urinária, o tratamento não farmacológico inclui a identificação e remoção de causas que estejam a provocar o problema e, em casos sem outras alternativas, pensos, fraldas, algálias e catéteres.O tratamento farmacológico, para além do tratamento de causas específicas que estejam a provocar o problema, tal como uma infecção urinária, inclui fármacos para aumentar a capacidade de armazenamento e fármacos para aumentar a resistência ao esvaziamento, nos quais se destaca a terapêutica hormonal nas mulheres pós-menopáusicas.

Conselhos

Estima-se que exista, em Portugal, cerca de meio milhão de pessoas afectadas pela incontinência, sendo na sua maioria mulheres com mais 50 anos. Para elas, há vários conselhos que sugerimos para minorar o problema.
  • Pode ser adquirida roupa interior especial, ou pensos e fraldas geriátricas que absorvam a urina e que não são mais grossos que os pensos normais. Estes produtos estão comercializados, mas não devem ser utilizados como primeira solução.
  • Nunca deixe a bexiga encher-se completamente e esvazie bem a bexiga, cada vez que for à casa de banho.
  • Mantenha horários fixos para ir à casa de banho (a incontinência funcional pode ser melhorada desta forma).
  • Faça o diário da incontinência, anote as horas em que o idoso urina normalmente ou que ocorre a incontinência. Veja qual é o padrão de diurese, pode ajudar muito.
  • Se o idoso se perde, não sabendo onde fica a casa de banho e não chega a tempo, provocando incontinência, é aconselhável sinalizar bem a porta da casa de banho, com palavras grandes e chamativas (verde e azul exuberantes, vermelho..) ou colocar um símbolo que identifique perfeitamente o local.
  • À noite, deixe a luz da casa de banho acesa. Se o quarto de dormir não tiver casa de banho, escolha um que fique próximo da casa de banho. Em alguns casos, o ideal será deixar um vaso ou aparadeira perto da cama. Para facilitar poderá adquirir um vaso sanitário com assentos altos e adaptados, com barras laterais.
  • Se o idoso não consegue ir até à casa de banho para urinar ou evacuar, por problemas diversos e a incontinência é mais severa, o uso de fralda geriátrica é imperativo, durante todo o dia (dia e noite).
  • Troque a fralda regularmente. Nunca deixe as fraldas molhadas no corpo por muito tempo, evitando assaduras e feridas na pele.
  • Faça uma boa higiene, com água e sabonete ou sabão não abrasivo, podendo usar pó de talco. Ao fazer a limpeza, sempre limpar a região anal de frente para trás, isto é, da vagina para o ânus, evitando levar fezes para o canal da uretra, de modo e evitar infecções urinárias.

In: www.anf.pt, 9 de Fevereiro de 2005, 20h:21m